Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

9.9.14

Bibliofilia: "A Jangada de Pedra" (1986)

[ 98 ] José Saramago, A Jangada de Pedra, Editorial Caminho, Outubro 1986 (pp. 330). Seis personagens, três homens, duas mulheres e um cão, sofrem, cada um, um acto insólito que os vai unir. Ao mesmo tempo, outro fenómeno, ou talvez o mesmo, faz com que a Península Ibérica se destaque do resto da Europa, através dum corte nos Pirinéus, e vagueia pelo Oceano Atlântico. Escrito no ano da adesão de Portugal e Espanha à Comunidade Económica Europeia (CEE), esta parábola questiona o vínculo mais atlantista lusitano por oposição ao vínculo mais continentalista castelhano e as relações políticas internacionais da época. Joana Carda provoca um fenda enorme ao riscar o solo com uma vara de negrilho (ulmeiro), Joaquim Sassa arremessa um pedra ao mar a uma distância impensável, José Aniço é perseguido constantemente por uma núvem de estorninhos, o castelhano Pedro Orce sente um tremor da terra debaixo do corpo e Maria Guaivara desenrola um novelo infinito de lã cujo fio aparece no focinho do cão baptizado de Constante pelo grupo. São estes fenómenos que os vão unir e conduzir a uma viagem desde o Norte até ao Sul da Península Ibérica à deriva.

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