Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

17.9.14

Bibliofilia: "Os Irmãos Karamázov" (1879 - 1880)

[ 100 ] Fiódor Dostoiévski, Os Irmãos Karamázov (1879 – 1880), Relógio D’Água, Março 2012 (pp. 789). Faltam adjectivos para descrever a obra sobre a família Karamázov. Vale muito a pena a tarefa de dois Verões, embora interrompida por outras alternativas. Mais do que a história de um parricídio por rivalidade amorosa é sobretudo, mais uma vez, a análise do sentimento de culpa e da forma como se lida com ele. Há sempre aquela conduta que, por muito perdão que rogue pelos seus actos, jamais consegue deixar de cometê-los. E castiga-se perpetuamente como forma de expiação do pecado. A avaliação psicológica do acto em tribunal, que condena não apenas aquele que cometeu o crime, mas também todos os que o sonharam ou desejaram, é revelador do carácter humano. Claro que tudo o resto, a densidade das personagens os diálogos de outra época e a deferência dos costumes, representam tudo o que a literatura russa do séc. XIX tem de melhor, pois o tema do parricídio já tinha sido abordado em Hamlet e no Édipo Rei de Sófocles.

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