Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

22.11.14

Momentum: "Carpe diem" (1 137)


O salário líquido mensal de um deputado da Assembleia da República deveria de ser de vinte e cinco a trinta mil euros com dedicação exclusiva e sem alcavalas por fora. Para evitar os domícilios que se declaram em Braga, apesar de se viver em Lisboa, da residência em Paris que implica a deslocação a Lisboa, e receber os complementos de deslocação ou quilómetro, ou lá o que é. Poupava-se muita caixa de robalo, charutos, garrafas de whiskey, serviços Vista Alegre ou canetas Mont Blanc. Quanto mais relevante o cargo de poder, mais bem pago este deve ser. Não só para atrair gente competente, mas também os melhores. E para virem apenas os melhores, talvez fosse importante reduzi-los de duzentos e trinta para apenas duzentos. Duzentos com sólida e comprovada experiência profissional, com passagem por duas ou três empresas de relevo, com vários anos de exercício de advocacia, medicina, engenharia ou outra especialidade ou relevante desempenho de cargos públicos internacionais. Que conheçam as dificuldades de estacionamento, que saibam que a fila que se escolhe na caixa do supermercado é sempre a mais lenta, que existe um semáforo de velocidade na Marginal, junto ao Hospital Santana, na Parede, que fecha e obriga os carros a levar com as ondas e pedras da calçada durante o mau tempo. As dificuldades matinais do IC19, da VCI ou do garrafão da Ponte. Que cada vez que um pescador amador lança a linha da cana de pesca ao mar, por detrás um condutor arrisca-se a levar com a chumbada. E, se possível, que se lembrem do Eusébio, Amália, José Mestre Batista e Joaquim Agostinho. Da série Retalhos na Vida de Um Médico, com genérico de Um Homem na Cidade do, agora na moda, Carlos do Carmo. Não precisam das buzwords, penteado e vinco impecável da camisa que lhes dá um ar de perfeito santo imaculado. Seria dinheiro muito bem pago. E, sobretudo, transparente.

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