Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

19.9.15

Cinefilia: "O Pátio das Cantigas" (2015)

[ 76 ] Catorze pessoas numa sala com capacidade para oitenta e seis. Três delas fizeram um supremo esforço para se rirem, mas, nem com muito boa vontade, o conseguirem em pleno. Quem vê o original, cem vezes depois, ainda não consegue deixar de rir do princípio ao fim. É esta a diferença. Talvez por querer satirizar, até mesmo provocar, com um original que, para alguns, está muito associado ao regime de Salazar esta versão moderna tenta combinar gays e lésbicas com hostels e tuk-tuks. O problema é que nada daquilo está cadenciado e saltam cenas da cartola com muito pouco sentido. Há um excelente actor como o Miguel Guilherme que faz uma aproximação muito vincada ao Antonio Silva, mas depois todos os outros se esforçam por não imitar ninguém, o que deixa o primeiro deslocado do figurino. Só por engano, para quem pensa e ainda adora o original, é que este é o filme português mais visto de todos os tempos. A Gaiola Dourada (2013) de Rúben Alves, ao pé disto, é uma masterpiece.  (E pensar que a escolha foi entre isto e o Homem Irracional de Woody Allen estreado na véspera.) Tirando a piada de trazer Shakespeare para o pátio, tudo o resto são piadinhas de chichi-cocó. Se era para ser provocador e chocante, choca e provoca pela mediocridade. Aparentemente há uma nova oportunidade para redenção com o Leão da Estrela a estrear em Dezembro. Também será o mais visto de sempre?

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