Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

20.2.16

Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (208)


 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Schiller era alemão até à medula dos ossos. Com vinte anos, aquela idade feliz em que o russo vive do ar e do vento, sem pensar no dia de amanhã, tinha já a vida toda planeada e, houvesse o que houvesse, nunca cometeu o mínimo desvio, nunca fez a mínima concessão. Decidiu levantar-se às sete, almoçar às duas, ser pontual em tudo e embebedar-se todos os domingos. Resolveu acumular em dez anos um capital de cinquenta mil rublos, e isto era tão certo e irrevogável como o destino, pois que é mais fácil um funcionário público esquecer-se de deixar a sua assinatura na portaria do chefe no respectivo dia de aniversário do que um alemão faltar à sua palavra. Em caso nenhum aumentava as suas despesas, e se o preço das batatas subia mais do que normal, não dava nem mais um copeque, antes reduzia as compras, e embora às vezes ficasse com alguma fome, habituara-se bem a isso." (p. 39)

Nikolai Gógol, "Perspectiva Nevski" (1834 - 1835)
Contos de Petersburgo

Etiquetas: