Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

15.10.16

Momentum: "Carpe diem" (1 278)


Rentrée. A Direita insurge-se contra a degradação dos serviços públicos acusando a Esquerda de só aumentar os salários dos funcionários públicos para fins eleitorais e não se preocupar com a qualidade desses serviços públicos, e.g., investindo neles. A Esquerda não reconhece que o modelo de crescimento económico que apostava no consumo interno falhou — quando o faz, atribui o fracasso às negociações que foi obrigada a fazer com a Esquerda mais à Esquerda para constituir governo —, embora o défice tenha sido controlado (muito por completa ausência de investimento público) e, pela primeira vez, há muitos anos, não haver necessidade de um Orçamento Rectificativo, nem constantes ameaças com a inconstitucionalidade das medidas. Os impostos indirectos sobre tabaco, refrigerantes com açúcar, bebidas alcoólicas (80 milhões), alojamento local, imobiliário (160 milhões) e combustíveis (70 milhões) permitem uma maior redistribuição da riqueza com a reposição de algum poder de compra dos salários públicos (-257 milhões), pensões (-187 milhões) e eliminação gradual da sobretaxa de IRS (-200 milhões), por redução dos impostos directos. Um dos poucos impostos indirectos que sofre um desagravamento é a promessa eleitoral de descida do IVA da restauração (-175 milhões). O habitual "perdão fiscal" anual fará o resto (100 milhões). Onde parece haver consenso entre Direita e Esquerda é nas previsões incertas e fraudulentas de crescimento económico que ambos sempre apresentam para suportar tudo o resto. Tal como a previsão de uma inflação anual de 1,5% (actual 0,7%) que parece nitidamente desajustada. Mérito à política que voltou a sobrepor-se à economia. Afinal tudo isto é contabilidade. E escolhas. Só nestas vinte linhas, por amostragem, há um défice de 409 milhões de euros por suprimir. Deliberado? Escolha tendenciosa? #OE2017

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