Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

22.4.17

Cinefilia: "Os Oito Odiados" (2015)

[ 83 ] A acção decorre no Wyoming numa casa a que é difícil chamar de retrosaria, para o conceito português, e que mais se parece com uma estação de paragem de diligências, durante uma forte tempestade. Oito homens (e uma mulher), que podem vir a ser nove, ficam confinados àquele espaço que, por ser amplo, nunca se torna claustrofóbico, apesar da tensão existente e crescente entre os membros do grupo. Dividido em seis partes a que chama capítulos, em grande parte dos quatro primeiros não há a característica violência repleta de sangue dos filmes de Tarantino, mas no últimos isso é compensado com sangue e vómito. Muito vómito. Grande parte do filme é passado em diálogo entre as diferentes personagens para saber quem diz ser quem ao melhor estilo das reuniões finais de Hercule Poirot para desvendar o(s) criminoso(s) (pasme-se!) que envenenaram (muito Agatha Christie, em ano de celebração). O ritual, que todos conhecem e reclamam, de fechar a porta da cabana, pregando duas tábuas, funciona como palavra-passe para entrar naquele submundo. The Hateful EightOs Oito Odiados (2015) é muito Quentin Tarantino, abusando do inesperado, da excessiva violência graficamente exposta e sobre a mentira, tudo com o habitual excelente elenco. O que não é necessariamente mau.

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