Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XII

13.4.18

Cinefilia: "O Jogo da Imitação" ( 2014)

[ 86 ] São sempre interessantes as biografias adoptadas ao cinema. A história do matemático inglês Alan Turing, brilhantemente interpretado por Benedict Cumberbatch, que desvendou o código secreto do alemães Enigma, criando uma máquina que estaria na origem dos computadores actuais depois de ter sido calibrada com a repetição de palavras e a quem ele deu o nome do seu colega de escola por quem se apaixonou com quinze anos (1927). Reza a História que a sua descoberta encurtou a guerra em dois anos e poupou catorze milhões de vidas à custa de outras que tiveram de ser sacrificadas para não revelar de imediato a descoberta. A história decorre essencialmente durante três períodos: quando ele é alvo de bullying na escola e desenvolve a relação especial com o colega com quem partilha o mesmo interesse pela criptografia; durante a II Guerra Mundial e depois do conflito, já nos anos cinquenta, quando uma investigação policial com origem na suspeita de que é um comunista acaba por descobrir que ele é homossexual, tendo sido condenado por isso e alvo de violentos tratamentos que o conduzem ao suicídio. É magnífico o diálogo inicial, aquando do convite, com o comandante Denniston (Charles Dance) que revela o quanto as pessoas demasiado inteligentes são incapazes de compreender coisas simples como a ironia, desprovidas de inteligência emocional. Inteligência emocional que lhe será dada por Joan Clarke (Keira Knightley) que, para alguns críticos, deveria de ter tido maiores dificuldades em afirmar-se numa época onde as mulheres não ocupavam lugares de destaque. The Imitation Game / O Jogo da Imitação (2014), do realizador Morten Tyldum, é um excelente filme, mesmo para quem não gosta de fazer palavras cruzadas.

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